Hoje é diferente. Fim do dia, a vontade de viver em outro lugar, de trabalhar com outra coisa, ou de nem trabalhar, esmaga-me. Minha atenção cansada repousa sobre os atributos físicos dos pobres tribufus em ruínas voltando pra casa. Essas criaturas nem sempre me despertam ereções. Umas são gordotas, outras são magras demais e sem peitos. Outras têm cara de cavalo, com os dentões pra frente, o maxilar grande. Tem as de cara chupada, e umas com uma expressão natural de sofrimento que dá aflição de ficar olhando.
Impossível ignorar esse espetáculo como eu fazia na juventude. Esses deprimentes retratos da desgraça estética universal são um espelho do que vai aqui por dentro nos últimos anos. Tantos projetos abandonados - mais precisamente, nunca começados. Meus cabelos caindo, a barriga crescendo. O desânimo completo. Reconheço minha decadência na ausência de atributos físicos agradáveis desses monstros que lotam o metrô às 6 da tarde. Sejam feias com convicção, rascunhos de mulher! Seus traços falhos e descoordenados têm lugar no mundo, afinal. Não digo que eu poderia bater uma punheta pra vocês. Mas pelo menos vocês provocam aqui essa reflexão no caminho pra casa.
Uma gorda senta na minha frente. Existem muitas maneiras de ser feia numa segunda-feira no metrô lotado. Ser gorda em proporções jurássicas certamente é uma dessas formas. Considerando bem o problema, minha companheira de viagem, sentada ali na minha frente há poucos segundos, realmente sabe ser feia. O cabelo desgrenhado, as bochechas gordas como os dedos curtos e gordos. Ela tenta adiposamente encontrar uma posição confortável no assento. Mas é impossível ela se ajeitar ali. Sua bunda larga e flácida trespassa as fronteiras do assento individual destinado a ela. Sua carne excedente invade o espaço do vizinho e outro naco de carne se projeta temerariamente em direção ao corredor.
Ela não consegue se ajeitar porque não tem jeito. É inviável acomodar todo aquele volume em um espaço tão ínfimo. Minha ofegante amiga sabe disso e desiste da missão. Seus olhinhos pretos perdidos no meio daquela gordura demonstram sua agonia. Estará pensando no que comer quando chegar em casa? Uma coxinha certamente traria algum tipo de alívio à coitada. Os olhinhos perdidos da gordona estão mais ou menos na altura do meu pau.
Recordo uma vez na escola, em um pátio traseiro em que ficávamos longe de qualquer supervisão e podíamos fumar e falar merda à vontade. Pedro tinha trazido a Playboy da Tiazinha, e os meninos se amontoavam a sua volta para tentar olhar as fotos daquela gostosa pelada. Era antes da Internet, a gente tinha que memorizar bem aquelas fotos pra bater umas punhetas mais tarde. Mais precisamente, durante os próximos meses. Não sei como o assunto foi parar nisso, mas o Pedro disse aquele dia que as gordas são ótimas boqueteiras. Chupam o pau agradecidas. Recebem os jatos de porra na boca como um favor, e se não gostam de tomar uns tapas na cara, fingem que gostam e engolem a porra do mesmo no final.
Quando termino de repassar essa memória pela câmera da minha mente meu pau já está duro e volumoso dentro calça. Olho pra baixo para conferir o volume e reparo que a devoradora de flã está de olho na tora. Tenho o impulso de sacar meu caralho ali mesmo e ordenar que a filha da puta engula tudo até a garganta. "Vai, piranha, finge que isso é um churro bem grande e açucarado e enfia tudo na sua boa, sua puta!" O metrô para. A voz da vagabunda no alto-falante avisa que já estou na minha estação. Desço e vou pra casa. Depois de comer qualquer merda e assistir ao Jornal Nacional (que gostosa essa tal de Renata Vasconcelos), é hora de tomar um banho quente.
Normalmente eu pularia essa etapa do banho. Foda-se essa história de banho, coisa de veado arrombado filho da puta. Mas hoje tenho um bom motivo. Entro embaixo da água e relaxo. Lembro do rosto oleoso da arfante elefoa que deixei no transporte coletivo perigosamente sobrecarregando a capacidade de peso do vagão. Ponho meu pra fora de modo que ele resvale em sua cara de idiota. Idiota e obesa filha da puta do caralho. Ela agarra meu pau como se fosse a própria alça do metrô. "Chupa, puta!", ordeno. E a puta chupa com sofreguidão. Meu pau some garganta adentro daquele monstro marinho. Ela vai e volta em movimentos sôfregos. Puxo seu cabelo para tirar o pau de sua boca, e mando ela lamber minha bolas. Depois retomamos o movimento inicial, empurrando sua cabeça e fodendo sua boca.
Logo sua boca está cheia de porra pegajosa que escorre por seus lábios. Guardo meu pau todo babado e vou embora. A água cai insistentemente sobre minha pele, massageando gentilmente minhas costas. Minhas mãos estão sujas de porra. Amanhã é mais um dia. Eu preferia ficar em casa. Mas continuo no movimento inicial. De casa para o trabalho e vice versa.
Lindo poema contemporâneo.
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