O rio não está mais lá, nem seu barulho. O miasma oculto da cidade trama em silêncio sua revanche sob os escombros paulistanos. Quanta gente passa pra lá e pra cá! Uma gostosa de calça preta colada no corpo vem na minha direção. O decote deixa boa parte de suas acolhedoras mamas à mostra para deleite do meu olhar distraído. Quase nem percebo que estou olhando pra ela. Quando ela passa meu pescoço acompanha seu andar de rebolado paudurecente: Whiplash girl child in the dark.
Resolvo que é hora de andar também, acompanhando aquela voluptuosa bunda. Persigo minha musa anônima sabendo que jamais vou comê-la. O coração chora no meu peito, ajeito a benga corpulenta e pesada que sofre constrangida na cueca. A piranha para e abraça um sujeito bombado que a esparava em frente ao Teatro Municipal. Um viadinho que malha os glúteos na academia e fica comparando seu corpo com o de outros machos no espelho da academia. Vai tomar no cu, casal filho da puta.
Recolho os cacos do meu ser destruído por mais uma desilusão amorosa instantânea e dobro a esquina em direção ao Largo do Paiçandu. Perto dali, em uma ruazinha que deságua na Igreja Santa Ifigênia, trabalham as putas que ganham seu dinheiro honestamente chupando diversas rolas diferentes todos os dias. Considero ir lá comer uma delas, só pra esvaziar.
Um mendigo vem me pedir dinheiro. Todos os dias a mesma merda, um mendigo filho da puta vem interromper minhas reflexões íntimas pra exigir dinheiro. Normalmente eu só ignoro, enquanto mentalmente planejo massacres nazistas de mendigos, a ponto de me sentir culpado depois. Dessa vez resolvo dar dinheiro pro desgraçado, pela participação nesse texto que ninguém vai ler. É o cachê do miserável. Paguei dois reais pelos direitos de imagem do desdentado. Não dá nem pra comprar uma Corote. Por isso em vez de me agradecer ele olhou para a nota com desprezo e me xingou, depois de guardá-la bem fundo em seu bolso.
Não fui comer puta nenhuma, nem mesmo tomar uma cerveja. Fui pra casa olhar o mundo distraído pela janela, enquanto putas, mendigos e águas fermentam sua vingança. Êta vida besta, meu Deus!

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