quarta-feira, 26 de setembro de 2018

uma beldade cospe na calçada

Calçada espremida entre a saída do metrô e um corredor de ônibus. Avalanches de passageiros engolem o cimento da cidade, disputamos o espaço como formigas, obrigados a parar, esperar, mudar de caminho, esbarrando nos outros. O dia começa mal. De repente, ela desce do ônibus bem na minha frente: uma beldade. A pele morena lisinha, sem defeitos, a cintura fina, os longos cabelos ondulados esvoaçantes, dissolvendo delicadamente todos os pensamentos idiotas que até então eu trazia comigo.
E aí ela faz, graciosamente, o gesto improvável e raro. Uma caprichada cusparada no chão. Eu acreditava que o escarro era algo nojento, até aquele momento. Queria a saliva daquela boca, morder aqueles lábios grossos e macios. Eis que um oásis daquele precioso líquido se abria no deserto de meu cotidiano estagnado. Tenho sede. Sinto-me tentado a me agachar ali mesmo para lamber do chão esse elixir da minha musa anônima. Mas fico com vergonha, assim como fico com medo de abordar aquela desconhecida no nervoso fluxo de gente que vem na direção contrária. Vai que me enquadram no novíssimo crime de "importunação sexual". Em um instante ela se foi, o sol bate seco em meu rosto, as obrigações me esperam poucos metros adiante.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

pérolas

Porra é paixão. Com uma bela gozada você pode encher a boceta da amada de amor. Ou matar a sede de ternura da piranha, enchendo sua boquinha ávida por mingau de carinho. Há também versões mais espetaculares dessa generosa doação de fluídos: a humilhante gozada na cara, para sujar a vagabunda. Um verdadeiro show pirocatécnico.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Tudo é uma bosta

Apoiado no corrimão do Viaduto do Chá, olhando os carros serem engolidos pelo túnel sob o Vale do Anhangabaú, concentro-me para ouvir o marulho do rio que passava por ali antes de ser soterrado. Não há nada para ouvir. À beira dessas águas ausentes São Paulo brotou como mata-pasto. Hoje resta essa vasta paisagem de nada habitado pela agitação desesperada dos transeuntes.

O rio não está mais lá, nem seu barulho. O miasma oculto da cidade trama em silêncio sua revanche sob os escombros paulistanos. Quanta gente passa pra lá e pra cá! Uma gostosa de calça preta colada no corpo vem na minha direção. O decote deixa boa parte de suas acolhedoras mamas à mostra para deleite do meu olhar distraído. Quase nem percebo que estou olhando pra ela. Quando ela passa meu pescoço acompanha seu andar de rebolado paudurecente: Whiplash girl child in the dark.

Resolvo que é hora de andar também, acompanhando aquela voluptuosa bunda. Persigo minha musa anônima sabendo que jamais vou comê-la. O coração chora no meu peito, ajeito a benga corpulenta e pesada que sofre constrangida na cueca. A piranha para e abraça um sujeito bombado que a esparava em frente ao Teatro Municipal. Um viadinho que malha os glúteos na academia e fica comparando seu corpo com o de outros machos no espelho da academia. Vai tomar no cu, casal filho da puta.

Recolho os cacos do meu ser destruído por mais uma desilusão amorosa instantânea e dobro a esquina em direção ao Largo do Paiçandu. Perto dali, em uma ruazinha que deságua na Igreja Santa Ifigênia, trabalham as putas que ganham seu dinheiro honestamente chupando diversas rolas diferentes todos os dias. Considero ir lá comer uma delas, só pra esvaziar.

Um mendigo vem me pedir dinheiro. Todos os dias a mesma merda, um mendigo filho da puta vem interromper minhas reflexões íntimas pra exigir dinheiro. Normalmente eu só ignoro, enquanto mentalmente planejo massacres nazistas de mendigos, a ponto de me sentir culpado depois. Dessa vez resolvo dar dinheiro pro desgraçado, pela participação nesse texto que ninguém vai ler. É o cachê do miserável. Paguei dois reais pelos direitos de imagem do desdentado. Não dá nem pra comprar uma Corote. Por isso em vez de me agradecer ele olhou para a nota com desprezo e me xingou, depois de guardá-la bem fundo em seu bolso.

Não fui comer puta nenhuma, nem mesmo tomar uma cerveja. Fui pra casa olhar o mundo distraído pela janela, enquanto putas, mendigos e águas fermentam sua vingança. Êta vida besta, meu Deus!


terça-feira, 11 de setembro de 2018

Reflexão de merda

Que palavra afrontosa: "merda". Como se fosse um chiclete de tutti-frutti, a molecada está sempre pronta para mascar o som grudento dessas duas sílabas e cuspi-las na cara dos adultos encarregados de zelar pela ordem. Se a palavra for "bosta", melhor ainda. Encher a boca para soltar o tabuísmo explosivo: "bbbbosta!" Tem o sabor da própria liberdade, a palavra bosta. Como correr em direção ao mar depois de uma longa temporada maltratando os pulmões e os ouvidos em um depósito de gente como São Paulo, fodido, barulhento, esburacado e sem praia. Bosta e São Paulo, temas afins.
Mas se a palavra bosta é usada levianamente, não se pode dizer o mesmo da pastosa matéria que empresta seu nome a uma expressão tão utilizado todos os dias. Às vezes mais cremosa, outras vezes mais firme, a bosta em geral é rejeitada. Pouca gente está disposta a nadar em um rio de bosta, apesar de muita gente morar em São Paulo. Pouca gente mergulharia em um tanque cheio de merda. Principalmente, pouca gente comeria merda de bom grado.
Falam "merda" a todo o tempo, mas não encaram a merda com a mesma galhardia se ela aparecer de surpresa. Ficam logo com nojinho. Basta pisar no cocôzinho canino abandonado na calçada e pronto: o sensível transeunte fica todo incomodado, procurando livrar-se de seu pegajoso amigo esfregando a sola do calçado em algum gramado. O punk sujo e malvado faz uma cara de asco, e tampa o nariz.
A situação piora quando o assunto é comer bosta. Não estou falando de margarina ou pizza com ketchup (coisa que nem em São Paulo comem). Mas da merda literal, marrom, quente e cheirando vigorosamente no prato de porcelana sobre a mesa. Da porcelana da privada ao espaço nobre da sala de jantar de seu apartamento idiota no condomínio com piscina. Experimente chamar o vizinho para compartilhar a iguaria. Para obter um troço mais aromático, prefira consumir carne vermelha no dia da ocasião especial.
E aí você vai ver que, em geral, seus vizinhos não são de nada. Os mais grosseiros não vão nem tentar experimentar, os mal educados. Outros vão sucumbir à deselegância e falta de modos vomitando em cima da comida. É bom que sobra mais, e com tempero especial de vômito. Em qualquer caso, não vou ser hipócrita. Adianto que eu me incluo entre seus vizinhos, caro leitor. Deixaria você deglutindo sozinho esse rico manjar.
Eu também tenho nojinho. Isso é um problema político. Dessa forma torno-me suscetível a chantagens e pressões. Mesmo que não me sobre nenhum parente, mesmo que eu aprenda a enfrentar a dor, restará a força persuasiva da merda. Será a repulsa à merda um desvio pequeno-burguês? Seja como for, quem puder me ameaçar usando a merda como instrumento de pressão estará em uma situação favorável. A merda é poder. O que é bastante oportuno constatar, já que o poder é uma merda. Sempre algum filho da puta tentando te convencer a fazer o que ele quer. Estamos cercados de gente assim, todos uns bostas.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

noite

Aquela noite foi uma das últimas em que a putinha chupou meu pau. Prevendo esse final desfavorável, lambi aquele cuzinho jovem até aquele olho cego piscar receptivo para mim. Cravei a vara fundo naquela bundinha arredia e apertada. Ela gemia de dor, e eu dava o troco pelas horas de tédio daquela noite. A safada ainda gozou tocando uma enquanto dava a bunda. Saiu satisfeita do castigo, a piranha.

in order to be able to think you have to risk being offensive

Ha! Gotha!

filha da puta feia pra caralho

Existem muitas maneiras de ser feia numa segunda-feira no metrô lotado. Quando eu era mais novo, meu olhar era como meu pau: bem menos exigente. As incomíveis sequer existiam, os olhos logo encontravam alguma gostosa para beliscar-lhes a bunda volumosa. Uma bunda bem feita era suficiente para ser uma "gostosa". Às vezes flagrava olhares furtivos em direção ao volume promissor que se formava na minha calça. Eu ficava lá, orgulhoso do meu pauzão potente e ereto afrontando o vagão inteiro. Tinha, afinal, uma atitude vibrante e otimista diante da vida. Eu era, em duas palavras: pra cima.
Hoje é diferente. Fim do dia, a vontade de viver em outro lugar, de trabalhar com outra coisa, ou de nem trabalhar, esmaga-me. Minha atenção cansada repousa sobre os atributos físicos dos pobres tribufus em ruínas voltando pra casa. Essas criaturas nem sempre me despertam ereções. Umas são gordotas, outras são magras demais e sem peitos. Outras têm cara de cavalo, com os dentões pra frente, o maxilar grande. Tem as de cara chupada, e umas com uma expressão natural de sofrimento que dá aflição de ficar olhando.
Impossível ignorar esse espetáculo como eu fazia na juventude. Esses deprimentes retratos da desgraça estética universal são um espelho do que vai aqui por dentro nos últimos anos. Tantos projetos abandonados - mais precisamente, nunca começados. Meus cabelos caindo, a barriga crescendo. O desânimo completo. Reconheço minha decadência na ausência de atributos físicos agradáveis desses monstros que lotam o metrô às 6 da tarde. Sejam feias com convicção, rascunhos de mulher! Seus traços falhos e descoordenados têm lugar no mundo, afinal. Não digo que eu poderia bater uma punheta pra vocês. Mas pelo menos vocês provocam aqui essa reflexão no caminho pra casa.
Uma gorda senta na minha frente. Existem muitas maneiras de ser feia numa segunda-feira no metrô lotado. Ser gorda em proporções jurássicas certamente é uma dessas formas. Considerando bem o problema, minha companheira de viagem, sentada ali na minha frente há poucos segundos, realmente sabe ser feia. O cabelo desgrenhado, as bochechas gordas como os dedos curtos e gordos. Ela tenta adiposamente encontrar uma posição confortável no assento. Mas é impossível ela se ajeitar ali. Sua bunda larga e flácida trespassa as fronteiras do assento individual destinado a ela. Sua carne excedente invade o espaço do vizinho e outro naco de carne se projeta temerariamente em direção ao corredor.
Ela não consegue se ajeitar porque não tem jeito. É inviável acomodar todo aquele volume em um espaço tão ínfimo. Minha ofegante amiga sabe disso e desiste da missão. Seus olhinhos pretos perdidos no meio daquela gordura demonstram sua agonia. Estará pensando no que comer quando chegar em casa? Uma coxinha certamente traria algum tipo de alívio à coitada. Os olhinhos perdidos da gordona estão mais ou menos na altura do meu pau.
Recordo uma vez na escola, em um pátio traseiro em que ficávamos longe de qualquer supervisão e podíamos fumar e falar merda à vontade. Pedro tinha trazido a Playboy da Tiazinha, e os meninos se amontoavam a sua volta para tentar olhar as fotos daquela gostosa pelada. Era antes da Internet, a gente tinha que memorizar bem aquelas fotos pra bater umas punhetas mais tarde. Mais precisamente, durante os próximos meses. Não sei como o assunto foi parar nisso, mas o Pedro disse aquele dia que as gordas são ótimas boqueteiras. Chupam o pau agradecidas. Recebem os jatos de porra na boca como um favor, e se não gostam de tomar uns tapas na cara, fingem que gostam e engolem a porra do mesmo no final.
Quando termino de repassar essa memória pela câmera da minha mente meu pau já está duro e volumoso dentro calça. Olho pra baixo para conferir o volume e reparo que a devoradora de flã está de olho na tora. Tenho o impulso de sacar meu caralho ali mesmo e ordenar que a filha da puta engula tudo até a garganta. "Vai, piranha, finge que isso é um churro bem grande e açucarado e enfia tudo na sua boa, sua puta!" O metrô para. A voz da vagabunda no alto-falante avisa que já estou na minha estação. Desço e vou pra casa. Depois de comer qualquer merda e assistir ao Jornal Nacional (que gostosa essa tal de Renata Vasconcelos), é hora de tomar um banho quente.
Normalmente eu pularia essa etapa do banho. Foda-se essa história de banho, coisa de veado arrombado filho da puta. Mas hoje tenho um bom motivo. Entro embaixo da água e relaxo. Lembro do rosto oleoso da arfante elefoa que deixei no transporte coletivo perigosamente sobrecarregando a capacidade de peso do vagão. Ponho meu pra fora de modo que ele resvale em sua cara de idiota. Idiota e obesa filha da puta do caralho. Ela agarra meu pau como se fosse a própria alça do metrô. "Chupa, puta!", ordeno. E a puta chupa com sofreguidão. Meu pau some garganta adentro daquele monstro marinho. Ela vai e volta em movimentos sôfregos. Puxo seu cabelo para tirar o pau de sua boca, e mando ela lamber minha bolas. Depois retomamos o movimento inicial, empurrando sua cabeça e fodendo sua boca.
Logo sua boca está cheia de porra pegajosa que escorre por seus lábios. Guardo meu pau todo babado e vou embora. A água cai insistentemente sobre minha pele, massageando gentilmente minhas costas. Minhas mãos estão sujas de porra. Amanhã é mais um dia. Eu preferia ficar em casa. Mas continuo no movimento inicial. De casa para o trabalho e vice versa.